Ep. 22 — Entre cinema, consultoria e adquirência: a trajetória pouco linear de Pedro Brasil
Como curiosidade intelectual, repertório fora da curva, infraestrutura de pagamentos e visão empreendedora podem se combinar para formar líderes que enxergam o mercado financeiro por ângulos que quase ninguém vê? No novo episódio do Fintech Makers, Fernando Castro recebe Pedro Brasil, fundador e CEO da Tupi, empresa que constrói soluções de infraestrutura para instituições de pagamento na América Latina. Ao longo da conversa, Pedro revisita uma trajetória pouco convencional, que passa por grandes organizações de tecnologia, consultorias estratégicas, experiências internacionais e a construção de produtos em um dos mercados mais complexos e fragmentados do ecossistema financeiro. Mais do que uma conversa sobre carreira, este episódio explora como repertório multidisciplinar, capacidade de abstração e leitura sistêmica ajudam a navegar o universo de pagamentos. Pedro compartilha aprendizados sobre a evolução do mercado, os bastidores de construir payment-as-a-service e a importância de entender, com profundidade, como PSPs, payfacs, subadquirentes e outros atores se conectam na prática. 💡 Neste episódio, conversamos sobre: - A formação do Pedro antes do mundo corporativo e como uma infância entre empreendedorismo local, arte, política e tecnologia moldou sua forma de pensar. Essa mistura de referências ajuda a explicar sua visão menos linear sobre negócios, produto e construção de empresas. - Os bastidores de entrar no mercado de pagamentos sem um mapa pronto e aprender, na prática, as diferenças entre os diversos players da cadeia. A conversa mostra por que o setor parece confuso para quem está de fora e como organizar essa complexidade é parte central de criar infraestrutura relevante. - A construção de soluções white label e a evolução para modelos de pagamento como serviço. Pedro explica como enxergar a camada de abstração acima do problema pode trazer mais clareza estratégica e acelerar decisões melhores de produto e posicionamento. - O valor de transitar entre setores, disciplinas e contextos muito diferentes ao longo da carreira. Em vez de seguir uma trilha tradicional, Pedro mostra como experiências diversas podem virar vantagem competitiva em mercados técnicos e em transformação constante. - Empreendedorismo, atração de talentos e a criação de ambientes capazes de gerar projetos com velocidade. O episódio também toca em como cultura, curiosidade e ambição intelectual ajudam a montar times fortes em negócios de alta complexidade. 🧠 Para quem é este episódio? Para founders, executivos, product managers, profissionais de pagamentos, banking e infraestrutura financeira. Também é valioso para quem quer entender melhor como repertório e visão sistêmica influenciam a construção de fintechs. 🔗 LINKS DO EPISÓDIO - Outlive Foods: https://outlivenutrition.com.br - Fintech Center: https://fintechcenter.co/ - LinkedIn de Pedro Brasil: https://www.linkedin.com/in/ppbrasil/ - Instagram de Pedro Brasil: https://www.instagram.com/ppay_brasil/ - Cupom Outlive Foods: FINTECHMAKERS10 📲 Acompanhe o Fintech Makers: 🌐 Site: https://fintechmakers.com 📺 YouTube: https://youtube.com/@fintechmakers 📸 Instagram: @fintechmakerspodcast 💼 LinkedIn: /company/fintech-makers
Resumo
O episódio acompanha a trajetória pouco linear de Pedro Brasil, hoje CEO da Tupi, começando por uma infância marcada por curiosidade e contrastes: vida no interior de Petrópolis cercado por pequenos empreendedores e, nas férias, imersão no ambiente artístico da TV e do cinema por influência do pai. Pedro conta como essa mistura moldou sua forma de enxergar o mundo e como uma experiência de sete meses em Cuba, aos 13 anos, ampliou sua visão de sociedade e prática (bem diferente das “caricaturas” do debate público). A conversa também expõe a dificuldade de escolher um caminho quando se quer “ser tudo”, e como ele caiu na engenharia mais por afinidade com exatas do que por vocação fechada. O primeiro grande ponto de virada profissional vem com a empresa júnior, que ele define como um contato
Destaques
- Empresa júnior funciona como “mundo real”: combina venda, entrega e gestão, acelerando a maturidade mais do que estágios com baixa autonomia.
- Negócios de impacto social falham quando rejeitam a lógica de sustentabilidade; o desafio é trocar a “lente” de quem opera só por propósito para incluir mecanismos financeiros sem “vender a alma”.
- Dependência de canal pode destruir um negócio saudável: na Dona Flor, distribuidores foram pressionados a abandonar o catálogo, mostrando a importância de estratégia de ecossistema e conversa com pares (inclusive M&A) cedo.
- Em pagamentos, o diferencial competitivo está em dominar complexidade (regulatória, segurança, múltiplos players) e traduzir isso em soluções simples e elegantes.
- Infra de adquirência no Brasil sofre com tecnologia legada e cara (muitas vezes dolarizada) e baixa capacidade de adaptação contínua às mudanças diárias de regras (mandates).
- IA tem maior valor quando aplicada ao back-office e operações mission-critical (ex. chargeback, onboarding, conciliação/interchange), mantendo human-in-the-loop para controle e segurança.
- O pêndulo regulatório pós-fraudes tende a elevar barreiras e acelerar consolidação; oportunidades podem migrar para modelos “as a service” e players com apetite e controles para segmentos de maior risco.
Tópicos: Trajetória do fundador e formação multidisciplinar (engenharias, empresa júnior, consultoria), Empreendedorismo e canal de venda direta (Dona Flor) e lições de colapso de distribuição, Pagamentos, adquirência e embedded finance: PSP, payfac, subadquirência e complexidade do ecossistema, M&A e integração cultural/tecnológica (Muxi, DOC, Conductor) e riscos de curto vs longo prazo, IA aplicada a back-office de pagamentos (chargeback, onboarding, operação) e human-in-the-loop, Regulação, consolidação (522) e futuro de pagamentos (pagamento invisível, biometria/visão computacional)
Citações
- “Quem é o Pedro antes de LinkedIn, cara?” — Fernando Castro
- “Cara, ainda não consegui responder isso para o meu psicólogo, então é uma pergunta profunda.” — Pedro Brasil
- “A empresa Júnior é uma empresa de consultoria formada por alunos.” — Pedro Brasil
- “O que você colocar no contrato... atende o que vai ser cumprido sempre, atende o que vai ser realizado.” — Fernando Castro
- “Você tentar sempre olhar a camada de abstração acima do que você tá fazendo, isso te dá muita clareza dos problemas que você tá resolvendo, onde vale a pena olhar, onde não vale a pena olhar.” — Pedro Brasil